terça-feira, 12 de outubro de 2010

O consumo do Futuro

Fazer compras de produtos biológicos por grosso e em conjunto sai mais barato. É o que propõem os "grupos de compras solidárias" com enorme sucesso, nomeadamente na Alemanha, junto dos adeptos da "agricultura biológica".


Acabararm-se as idas semanais, solitárias, ao supermercado. Na Alemanha, o apreciador da boa comida adepto de produtos biológicos abandona, cada vez mais, as grandes superfícies em proveito das cooperativas alimentares, também chamadas "centrais de compras solidárias".

http://biosite-com.blogspot.com/p/loja-e-cabazes-ao-domicilio_07.html?spref=fb

Os consumidores associam-se para efectuarem as compras de fruta e legumes. Como as cooperativas conseguem comprar produtos alimentares de agricultura ecológica em maiores quantidades, os agricultores e os revendedores de produtos alimentares, como as empresas Bioland ou Rapunzel, estão dispostos a baixar os preços. Resultado: os membros das cooperativas fazem economias e habituam-se a consumir "de forma alternativa".

Distributição ao domicílio
A organização das cooperativas alimentares baseia-se na boa vontade dos seus membros. Assim, Daniela, estudante de Etnologia em Münster, assume a sua quota de trabalho: recebe os produtos no seu apartamento. Reparte-os em seguida pelos membros, que passam por casa dela a levantar as suas encomendas.

A cooperativa de Münster desenvolveu o seu próprio sistema de encomendas por Internet. No seu site, pode-se não apenas encher o cesto, mas consultar igualmente as facturas. Cada membro começa por dar uma entrada e, depois, pode encomendar o que quiser. Cada um deduz os custos na sua conta, mas não há controlo. O sistema das cooperativas alimentares baseia-se na confiança mútua entre membros. Portanto, para entrar no grupo, é necessário não apenas apresentar-se em pessoa aos outros membros, mas também estar disposto a participar frequentemente nas reuniões e mostrar real interesse no projecto.

O que há no cesto de produtos biológicos da Daniela, neste mês de Setembro? Couve rábano, cogumelos e erva-doce, amoras e pão bretzel biológico… Não vale a pena procurar ananás, apesar de a presente "biomania” ir ao ponto de a simples aplicação de um rótulo “biológico” chegar a justificar a exportação de kiwis sul-africanos para a Europa. Para as cooperativas alimentares, a cultura de produtos alimentares deve respeitar os recursos naturais e proteger a natureza e o ambiente.

O que chega ao prato dos membros de uma central de compras solidárias deve ter sido cultivado sem produtos tóxicos e de acordo com critérios ecológicos. O sindicato federal das cooperativas alimentares (mais conhecido na Alemanha sob o nome de Foodcoop Bundes AG) bate-se para que os produtos sem pesticidas estejam disponíveis mesmo para lá das existências das cooperativas. Por isso, ajuda o consumidor vulgar a melhorar os seus hábitos de consumo. Os seus cavalos de batalha? Acabar com as embalagens, reduzir os transportes de produtos alimentares e escolher prioritariamente produtos regionais e da estação. Afinal, pode-se viver sem laranjas importadas de Espanha ou ananás do Brasil.

Mais ecológico que nas bio-lojas
 Foi nos anos 70 que os pioneiros do movimento das cooperativas alimentares começaram a concretizar o seu sonho de pôr alimentos biológicos ao alcance de todos, a um preço razoável. A ideia espalhou-se rapidamente através de toda a Europa. No entanto, se as novas cooperativas se multiplicaram na Alemanha e Inglaterra, em França, onde(apesar do relativo sucesso das AMAP) não representam ainda uma alternativa à oferta das cadeias de supermercados, continuam a ser relativamente raras. Em contrapartida, vê-se cada vez mais frequentemente os consumidores das zonas rurais fazerem compras directamente junto dos agricultores.

De uma maneira ou outra, o conceito subjacente é idêntico: os produtos biológicos são melhores para a saúde e para o ambiente, mas saem menos caros se forem comprados directamente ao produtor.


Para o porta-voz do sindicato federal, Tom Albrecht, as cooperativas alimentares reúnem pessoas "mais ricas em tempo do que em dinheiro". Os que ganham mais e se interessam por produtos biológicos compram geralmente nas lojas. "As cooperativas alimentares são a alternativa mais ecológica", sublinha Tom Albrecht, porque são as únicas a poder satisfazer precisamente a procura dos seus membros. Quanto mais o abastecimento for assegurado por produtores locais, mais os custos de transporte diminuem.

Assim, o agricultor ou o grossista que trabalha com uma cooperativa entrega em geral os produtos num único lugar, acessível a todos os membros. As lojas biológicas, por seu lado, são obrigadas a gerar lucros e a propor nas suas prateleiras alimentos que têm um menor escoamento.



Lukas Ley et Lilian Maria Phitan (Adaptação BioSite)

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