sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Agricultura biológica- Desafios e metas

AGRICULTURA ORGÂNICA: Desafios e metas.

Desde a II guerra mundial, os fertilizantes e pesticidas químicos têm sido muito importantes para o aumento da produtividade, porém advertências muito claras têm sido feitas actualmente sobre a qualidade de vida, tendo em vista que os produtos químicos têm tomado conta não apenas da produção em si, mas afectado tudo o que rodeia o homem, principalmente no seu ecossistema, afectado de forma tal, que tudo o que o homem consome, principalmente no seu ecossistema, contem contaminação em tal abundância, que tem se tornado caso de alarme generalizado como um perigo, tanto para a saúde humana, como dos ecossistemas naturais, comprometendo a sustentabilidade dos recursos.

Também as práticas de gestão de solos, da paisagem e dos elementos naturais em geral, em muito têm sido degradados pela agricultura convencional do seculo XX. E este alerta deposita grandes esperanças na agricultura biológica, a única que pode fazer esse retrocesso à qualidade de vida que o homem busca. A socialização dos seus benefícios é que devem ser divulgados, até como forma de desenvolvimento da agricultura familiar, que através da policultura, pode oferecer esta qualidade de vida não apenas para si, mas para com toda uma comunidade.

O poder público necessita, obrigatoriamente, de abraçar esta causa em defesa de um todo: homem, meio ambiente e futuro. É inegável que a produtividade não é tão alta, mas os benefícios podem tranquilamente fazer a diferença em que a qualidade é melhor que a quantidade e o valor agregado aliado ao custo-benefício, ainda traz vantagens.  
O produto orgânico não é apenas um produto cultivado sem o uso de adubos químicos ou agro-tóxicos. É um produto limpo, saudável, que provém de um sistema de cultivo que observa as leis da natureza e todo o maneio agrícola está baseado no respeito ao meio ambiente e na preservação dos recursos naturais.

O solo é a base do trabalho orgânico. Vários resíduos são reintegrados ao solo; esterco, restos de verduras, folhas, etc e são devolvidos aos canteiros em forma de composto para que sejam transformados em nutrientes para as plantas.

 Essa fertilização activará a vida no solo; os microorganismos além de transformarem a matéria orgânica em alimento para as plantas, tornarão a terra porosa, solta, permeável à água e ao ar. O grande valor da horticultura orgânica é promover permanentemente o melhoramento do solo. Ao invés de mero suporte para a planta, o solo será sua fonte de nutrição.

A rotação de culturas é utilizada como forma de preservar a fertilidade do solo e o equilíbrio de nutrientes. Contribui também para o controle de pragas, pois o cultivo das mesmas culturas nas mesmas áreas poderia resultar no aparecimento de doenças e infestações. As monoculturas são evitadas. A diversidade é factor que traz estabilidade ao agrossistema, pois implica no aumento de espécies e na interacção entre os diversos organismos.

O cultivo consociado, isto é, o plantio de 2 espécies lado a lado, com um objectivo especifico de inter-acção, contribui para o controle da erosão, pois mantém o solo coberto. Muitas espécies podem ser associadas entre si, pois  favorecem-se mutuamente:

Espécies que produzem muita sombra podem ser associadas àquelas que gostam de sombra; ex: tomate e salsa.

Raízes profundas com raízes superficiais; ex: cenoura e alface

Espécies com folhagens ralas podem ser plantadas junto àquelas mais volumosas; ex : cebolinha e beterraba

Espécies com exigências diversas em relação à nutrientes. ex : rúcula e brócolos.

Espécies que exalam odores e afugentam insectos: ex : alface e cebolinha.


Essas técnicas contribuem para um solo saudável, uma produção sadia e previnem o aparecimento de infestações. A conservação de faixas de vegetação selvagem entre os canteiros auxilia no controle de pragas. Servem de refúgio para diversos insectos benéficos que se alimentam de fungos ou organismos que, sem seus inimigos naturais, poderiam aniquilar a cultura. A fauna selvagem é preservada e a diversidade é essencial para o equilíbrio de várias espécies.

Infestações ocasionais podem ser tratadas com caldas, criação e libertação de inimigos naturais, armadilhas, captura manual e outros.

A maioria da produção orgânica provém de pequenos núcleos familiares que tiram da terra o seu sustento. Conservando o solo fértil, a agricultura orgânica prende o homem à comunidade rural à qual pertence.
2. QUALIDADE x QUANTIDADE

Procura de alimentos
 Nas últimas décadas a agricultura ocidental passou por várias transformações, entre as quais, se observa um aumento significativo na produção anual de grãos. Isto, sem sombra de dúvidas, é muito bom economicamente para o Mundo, pois, além de atender às necessidades na alimentação, ainda garante mercadoria para exportar e gerar receitas.

Mas há o outro lado da questão que é a preocupação com o solo, degradação ambiental, alimentos com quantidades muito grandes de agrotóxicos, contaminação de recursos hídricos e problemas de saúde nos trabalhadores que executam a aplicação destes agrotóxicos na lavoura. Então, a crescente preocupação com a natureza através da “Agenda 21”, escolas, meios de comunicação, administradores públicos e privados e a população em geral, têm a necessidade de repensar as práticas actuais, acenando para uma mudança de hábitos, a fim de obter a qualidade de vida populacional, não descuidando do solo, água e, acima de tudo, do meio natural em geral.

Para a fertilização deve-se passar a recorrer cada vez mais á utilização de resíduos orgânicos, sejam eles vegetais ou animais.

O resíduo de gado herbívoro é mais utilizado seguido do suíno que necessita de certo tempo para a fermentação e por último, o resíduo de aves que deve ficar um ano armazenado por causa das hormonas.

Porém, como se trata de um tema bastante pertinente, justifica-se o interesse em buscar subsídios de análise e questionar sobre a falta de informação com relação à produção orgânica aos agricultores em geral e aos consumidores no sentido de aderirem ao consumo de produtos orgânicos.

Por que razão aderir à produção orgânica?
Sabemos que uma das principais questões dos diferentes sistemas de produção agrícola, diz respeito à sustentabilidade desses sistemas, em conservar e melhorar os recursos produtivos, tais como: o solo, a água, o ar e a própria biodiversidade, que permitem uma produção adequada de alimentos na obtenção de qualidade de vida e para as futuras gerações.

Partindo do princípio médico de que a maioria das doenças decorre do desequilíbrio alimentar pelo uso de elementos químicos, é necessário repensar a forma de nos alimentarmos.

Actualmente, cada pessoa, com a sua liberdade para escolher o que quer consumir, tem opção de uma variedade enorme de produtos industrializados e comercializados, os quais contêm produtos químicos, resíduos tóxicos, conservantes e corantes nas comidas e bebidas; antibióticos e hormonas nas carnes; metais pesados introduzidos na água, etc.

A alternativa que se viabiliza no momento como melhor caminho para uma melhor qualidade de vida e sustentabilidade é a produção biológica.

Este problema já começa na própria concepção de “agricultura biológica”, que geralmente oscila entre o modelo predatório que era utilizado onde o agricultor chega, desmata, queima, planta por alguns anos, e depois dos solos esgotados, deixa o mato se reocupar os terrenos ou faz pasto e assim ficará até acontecer uma mudança de tecnologias ou incentivos comunitários desadequados e recomeça a predação.

Diante do acima exposto é necessário, compreender o que é agricultura orgânica e quais seus benefícios.

A agricultura orgânica ou Agricultura biológica é um termo frequentemente usado para a produção de alimentos, produtos animais e vegetais que não fazem uso de produtos químicos sintéticos ou alimentos geneticamente modificados, geralmente aderem aos princípios de agricultura sustentável. Sua base é holística, ou seja, de todo o sistema de produção, põe ênfase no solo. Seus proponentes acreditam num solo saudável, mantido sem uso de fertilizantes e pesticidas feitos pelo homem, os alimentos têm uma qualidade superior a alimentos convencionais.

Actualmente também já se pode dar uma igual importância à industria de transformados de agricultura biológica, dado o alto peso que têm quer na nossa alimentação como nas produções e também por sua vez na contaminação ambiental, no caso da agro-industria biológica a ser evitado ou minimizado a todo o custo, como regra e condicionante.
Procura-se produzir com uma maior eficiência energética. Busca-se conhecer e incrementar interacções positivas que beneficiam a produção.

O desafio de aumentar a produção de alimentos para equipará-la à procura, ao mesmo tempo mantendo a integridade ecológica essencial dos sistemas de produção, é um desafio formidável em magnitude e complexidade. Porém, dispomos do conhecimento necessário para conservar os nossos recursos agrários e hídricos, embora tenha que haver uma maior consciencialização neste sentido, pois sabe-se hoje que os recursos hídricos não são infindáveis.

Essa é mais uma vantagem da agricultura biológica, uma vez que a regularidade das chuvas dependem directamente da questão agrária, tais como: desmatamentos, queimadas, defensivos químicos e outra série de factores provenientes da poluição de todo um sistema, que faz com que as épocas de chuva também se modifiquem.

Contudo, as novas tecnologias possibilitam o aumento da produtividade e, ao mesmo tempo, reduzem as pressões sobre os recursos. Uma nova geração de agricultores combina experiência com educação. Na posse desses recursos, podemos satisfazer as necessidades da grande família humana.

Como obstáculo temos o enfoque limitado do planeamento e das políticas agrícolas, onde cabe ao poder público fazer a sua parte, pelo simples facto de estar trabalhando para a saúde e bem estar da população.
3. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Portanto, é preciso que a população adira ao consumo de produtos orgânicos, para que tenha uma qualidade de vida melhor. Motivos para tal, são muitos e vão ao encontro não apenas da saúde e bem estar do indivíduo mas principalmente, do ecossistema, do qual este mesmo indivíduo é parte, cujos principais.
Torna-se também fundamental, accionar medidas, mecanismos e práticas para que os actuais ainda por vezes altos dos produtos biológicos, sejam ao invés de penalizados pela, máquina burocrática e fiscal, incentivados para que se tornem mais acessíveis a toda a população (embora que, se for feito um consumo racional, tipo produtos de época, esses preços chegam a ser mais baixos que o convencional, mas isso será tratado em artigo próximo)

São descritos a seguir os referidos benefícios:




  1. Evita problemas de saúde causados pela ingestão de substâncias químicas tóxicas. Pesquisas e estudos têm demonstrado que os agrotóxicos são prejudiciais ao nosso organismo e os resíduos que permanecem nos alimentos podem provocar reacções alérgicas, respiratórias, distúrbios hormonais, problemas neurológicos e até cancro.
  2. Os alimentos orgânicos são mais nutritivos. Solos ricos e equilibrados com adubos naturais produzem alimentos com maior valor nutritivo.
  3. Os alimentos orgânicos são mais saborosos. Sabor e aroma são mais intensos - na sua produção não há agrotóxicos ou produtos químicos que possam alterá-los.
  4. Protege futuras gerações de contaminação química. A intensa utilização de produtos químicos na produção de alimentos afecta o ar, o solo, a água, os animais e as pessoas. A agricultura biológica exclui o uso de fertilizantes, agrotóxicos ou qualquer produto químico; e tem como base do seu trabalho a preservação dos recursos naturais.
  5. Evita a erosão do solo. Através das técnicas orgânicas tais como rotação de culturas, plantio consorciado, compostagem, etc., o solo mantém-se fértil e permanece produtivo ano após ano.
  6. Protege a qualidade da água. Os agrotóxicos utilizados nas plantações atravessam o solo, alcançam os lençóis de água e poluem rios e lagos.
  7. Restaura a biodiversidade, protegendo a vida animal e vegetal. A agricultura orgânica respeita o equilíbrio da natureza, criando ecossistemas saudáveis. A vida silvestre, parte essencial do estabelecimento agrícola é preservada e as áreas naturais são conservadas  na produção biológica e a interesse do próprio agricultor.
  8. Ajuda os pequenos agricultores. Em sua maioria, a produção orgânica provém de pequenos núcleos familiares que tem na terra a sua única forma de sustento. Mantendo o solo fértil por muitos anos, o cultivo orgânico prende o homem à terra e revitaliza as comunidades rurais.
  9. Economiza energia. O cultivo orgânico dispensa os agrotóxicos e adubos químicos, utilizando intensamente a cobertura morta, a incorporação de matéria orgânica no solo e o trato manual dos canteiros. É o procedimento contrário da agricultura convencional que se apoia no petróleo como consumo de agrotóxicos e fertilizantes e é a base para a intensa mecanização que a caracteriza.
  10. O produto orgânico é certificado. A qualidade do produto orgânico é assegurada por um Selo de Certificação. Este Selo é fornecido pelas associações de agricultura biológica ou por órgãos certificadores independentes, que verificam e fiscalizam a produção de alimentos orgânicos desde a sua produção até a comercialização. O Selo de Certificação é a garantia do consumidor de estar a adquirir produtos mais saudáveis e isentos de qualquer resíduo tóxico.
Consuma produtos biológicos e promova a agricultura biológica e a sustentabilidade dos recursos naturais

quinta-feira, 21 de outubro de 2010


Viver em apartamento na cidade não é impedimento para ter uma horta Biológica.

Num workshop de 1 dia, poderá aprender na prática como fazer compostagem, semear, plantar e cuidar de plantas hortícolas, em espaços pequenos, para produção e como forma de decoração, para produzir os seus próprios legumes e verduras saudáveis, tipos de recipientes e supoirtes, plantas, sementes, tratamentos naturais, etc.

Valor: 50 Euros

Inclui:
  • Manual PDF de agricultura biológica
  • Catálogo de estruturas possiveis de usar
  • Sessão de sete horas com teórico/prática (emenda: termina às 18.00)
  • 1 meses seguintes ao curso de apoio técnico
  • Certificado credênciado

A realização está condicionada a um número mínimo de 10 inscrições

Deve ser feita uma pre-inscrição de 50% do valor do curso

 
 
Biosite.Com - Cooperativa para a Cidadania, a Sustentabilidade e a Agricultura Biológica

Rua D. Pedro V, nº 3, 1250-092 Lisboa
http://biosite-com.blogspot.com/
biosite.cabazes@gmail.com
Telefones:933031962 (Maria Sousa)937852418 (Tito Lopes)

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Inauguração de loja de comida BIO

O “BioSitio” da boa alimentação



- A produção biológica caracteriza-se sobretudo na obtenção de alimentos de elevada qualidade nutritiva e orgânica, e pela aplicação de sistemas de produção sustentáveis e naturais que respeitam o meio ambiente e no nosso caso os ecossistemas Naturais
- Nas refeições Biosite, quase todos os vegetais são produzidos por nós próprios e certificados em biológico, e no conjunto todos os ingredientes são 100% biológicos para uma qualidade e sabor óptimos:
- Todas as refeições são concebidas tendo em conta uma alimentação equilibrada e completa com base na roda dos alimentos, não perdendo no entanto as características gourmet de sabor e apresentação.


Os diversos alimentos, em embalagem selada, provêm directamente do produtor ou da cozinha, localizados a distâncias próximas para obter uma maior frescura
 1. Wraps
2. Refeições completas
3. Saladas
4. Sandes várias
5. Doçaria
6. Sumos naturais
7. Bebidas vegetais e chás de ervas
 Os produtos são acondicionados em embalagens ecológicas, biodegradáveis ou 100 % recicláveis, que permitem ser aquecidas em microondas ou forno.
O transporte das refeições é efectuado em viatura refrigerada para manter a qualidade e sanidade.


• Podem ser encomendados para o nossos contactos directos e entregues no local pretendido,

• Através da firma no menu com quem temos acordo ou
• Directamente na nossa loja na Rua D. Pedro V, nº 3, Lisboa (junto ao miradouro de S. Pedro de Alcântara)

Através dos nossos telefones indicados no blog

A Biosite (apresentação)

A Biosite.com, CRL, Cooperativa sem fins lucrativos propõe-se de um modo geral, à facilitação de actividades que promovam a cidadania, a participação activa dos cidadãos e a defesa do ambiente.
Com os principais projectos actuais de:

1. Produção de hortícolas biológicos em Montemor-o-Novo e Sintra.
2. Distribuição de cabazes biológicos ao domicílio
3. Realização de bio-hortas em escolas
4. Programas pedagógicos em educação ambiental (escolas e publico em geral) e quintas pedagógicas e temáticas.
5. Plano de formação com o curso de hortas em varandas, monitores de educação ambiental, iniciação à Permacultura, jardinagem ecológica para crianças.
6. Projecto “Respigar e Transformar”, que aborda a redução do consumo e desperdício nas grandes cidades.
7. Projecto Hortas urbanas, que aborda a temática da ocupação de terrenos abandonados para a criação de espaços comuns de lazer, terapia ocupacional, convívio através da criação de hortas e jardins comunitários






Inauguração de Loja

terça-feira, 12 de outubro de 2010

O consumo do Futuro

Fazer compras de produtos biológicos por grosso e em conjunto sai mais barato. É o que propõem os "grupos de compras solidárias" com enorme sucesso, nomeadamente na Alemanha, junto dos adeptos da "agricultura biológica".


Acabararm-se as idas semanais, solitárias, ao supermercado. Na Alemanha, o apreciador da boa comida adepto de produtos biológicos abandona, cada vez mais, as grandes superfícies em proveito das cooperativas alimentares, também chamadas "centrais de compras solidárias".

http://biosite-com.blogspot.com/p/loja-e-cabazes-ao-domicilio_07.html?spref=fb

Os consumidores associam-se para efectuarem as compras de fruta e legumes. Como as cooperativas conseguem comprar produtos alimentares de agricultura ecológica em maiores quantidades, os agricultores e os revendedores de produtos alimentares, como as empresas Bioland ou Rapunzel, estão dispostos a baixar os preços. Resultado: os membros das cooperativas fazem economias e habituam-se a consumir "de forma alternativa".

Distributição ao domicílio
A organização das cooperativas alimentares baseia-se na boa vontade dos seus membros. Assim, Daniela, estudante de Etnologia em Münster, assume a sua quota de trabalho: recebe os produtos no seu apartamento. Reparte-os em seguida pelos membros, que passam por casa dela a levantar as suas encomendas.

A cooperativa de Münster desenvolveu o seu próprio sistema de encomendas por Internet. No seu site, pode-se não apenas encher o cesto, mas consultar igualmente as facturas. Cada membro começa por dar uma entrada e, depois, pode encomendar o que quiser. Cada um deduz os custos na sua conta, mas não há controlo. O sistema das cooperativas alimentares baseia-se na confiança mútua entre membros. Portanto, para entrar no grupo, é necessário não apenas apresentar-se em pessoa aos outros membros, mas também estar disposto a participar frequentemente nas reuniões e mostrar real interesse no projecto.

O que há no cesto de produtos biológicos da Daniela, neste mês de Setembro? Couve rábano, cogumelos e erva-doce, amoras e pão bretzel biológico… Não vale a pena procurar ananás, apesar de a presente "biomania” ir ao ponto de a simples aplicação de um rótulo “biológico” chegar a justificar a exportação de kiwis sul-africanos para a Europa. Para as cooperativas alimentares, a cultura de produtos alimentares deve respeitar os recursos naturais e proteger a natureza e o ambiente.

O que chega ao prato dos membros de uma central de compras solidárias deve ter sido cultivado sem produtos tóxicos e de acordo com critérios ecológicos. O sindicato federal das cooperativas alimentares (mais conhecido na Alemanha sob o nome de Foodcoop Bundes AG) bate-se para que os produtos sem pesticidas estejam disponíveis mesmo para lá das existências das cooperativas. Por isso, ajuda o consumidor vulgar a melhorar os seus hábitos de consumo. Os seus cavalos de batalha? Acabar com as embalagens, reduzir os transportes de produtos alimentares e escolher prioritariamente produtos regionais e da estação. Afinal, pode-se viver sem laranjas importadas de Espanha ou ananás do Brasil.

Mais ecológico que nas bio-lojas
 Foi nos anos 70 que os pioneiros do movimento das cooperativas alimentares começaram a concretizar o seu sonho de pôr alimentos biológicos ao alcance de todos, a um preço razoável. A ideia espalhou-se rapidamente através de toda a Europa. No entanto, se as novas cooperativas se multiplicaram na Alemanha e Inglaterra, em França, onde(apesar do relativo sucesso das AMAP) não representam ainda uma alternativa à oferta das cadeias de supermercados, continuam a ser relativamente raras. Em contrapartida, vê-se cada vez mais frequentemente os consumidores das zonas rurais fazerem compras directamente junto dos agricultores.

De uma maneira ou outra, o conceito subjacente é idêntico: os produtos biológicos são melhores para a saúde e para o ambiente, mas saem menos caros se forem comprados directamente ao produtor.


Para o porta-voz do sindicato federal, Tom Albrecht, as cooperativas alimentares reúnem pessoas "mais ricas em tempo do que em dinheiro". Os que ganham mais e se interessam por produtos biológicos compram geralmente nas lojas. "As cooperativas alimentares são a alternativa mais ecológica", sublinha Tom Albrecht, porque são as únicas a poder satisfazer precisamente a procura dos seus membros. Quanto mais o abastecimento for assegurado por produtores locais, mais os custos de transporte diminuem.

Assim, o agricultor ou o grossista que trabalha com uma cooperativa entrega em geral os produtos num único lugar, acessível a todos os membros. As lojas biológicas, por seu lado, são obrigadas a gerar lucros e a propor nas suas prateleiras alimentos que têm um menor escoamento.



Lukas Ley et Lilian Maria Phitan (Adaptação BioSite)

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